Percebi…que nada percebia!
Quando finalmente percebi que sempre vivera rodeado de brumas chorei…afinal fora eu que as criara! E construías no seu máximo esplendor, negras como a noite, serpenteantes…assim fui arrastado a cada segundo para a solidão. Afastei tudo e todos, como se me ouvessem tentado ferir! Mas era apenas eu, enganado pelas brumas, que imaginava! Onde te vi…sim tu…tentares esfaquar-me com o teu punhal, eras apenas tu, doce perfeição, que te preparavas para me oferecer o coração! E agora que compreendi sei que foi tarde demais, já não te tenho. E agora? Que fazer? Afogarme na imensidão do tempo e da vida que fluí sem se aperceber da minha dor? Como poderei alguma vez dissipar aquilo que sempe considerei verdadeiro? E agora dizes-me que sou como aqueles que me feriram…e doí! mas aquilo que doí mesmo é a certeza colossal que me aflige de que tu tens razão! Foi nisto que me tornei? Porque terminamos sempre por ser aquilo que menos desejamos? é como se fugissemos com todo o coração daquilo que mais nos apavora para no fim descobri-mos que afinal fugimos da nossa sombra! E apenas existe uma maneira de fugir da própria sombra, matar o sol!
Queria provar que nem todos os homens são inerentemente maus…ainda quero!
Aquilo que quero não existe……qual é a solução? simples…criá-lo, sem brumas e com raios de sol que não desenhem sombras!