Tuesday, November 27, 2007

De novo tu: Ethrôm!

Os espelhos de mil cores já não me definem…a água cristalina já não me reflecte! Não apresenta a imagem do “eu”, aquela que eu imaginava ter mas que não tenho; ilusão criada, de mim para mim, com o cheiro fresco do puro e intocável ser que não é, ou que por razões milenárias desconhecidas, adormecidas, embebecidas no isto e aquilo que se apresenta como a forma do ser, desconjugado de realidade, efeverescente de felicidade, borbulhante de brumas longíncuas se viu afastado de permanecer…
O vento já nada me sussurra, passa e bate, violento de raiva, angústias gritadas na roda do tempo!
O gelo derrete a cada passo desconjugado, de tanto alinhado, pensado aqui e agora, ontem e no outro dia, de momento em momento, do tempo ao vento, do tormento ao tempo, das crisálidas mortas enterradas e depostas no ser único do agora…carpe diem…NÃO! Recuso-me, já nao me me mostras, já não me reflectes…
Só a lama me reflecte! O cheiro a podridão de memórias  vividas e absorvidas , mantidas  escondidas para não serem minhas, para serem de outro eu, aquele que não existe, o grande fantasma de mim…memórias esquecidas
Morri nos teus olhos quando a tua cara se transformou, o sorriso apagado tudo em mim mudou…De novo os espelhos… SIM…EU aceito, que sois vós que me reflectes; espelhos negros que me definem, me abraçam e consolam nesse esplendor de cheiro fétido, e eu morro a cada momento nesses braços aveludados de brumas negras desgastadas.. aperta-me com mais força, por favor, eu te peço…eu te peço: aperta os meus medos e sonhos, repele esses segredos medonhos!
Mas até vós, ó bruma celestial, até vós me  deixais  e o meu coração despedaçais!
E eu fico com frio e por mim espero neste pesadelo austero!
Posted by Igdrasil at 01:27:47
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