O Punhal da morte
Entreguei o meu coração e com ele a minha alma! Protejeste-me das brumas que se precipitavam sobre mim, trazendo tempestades profundas,implacáveis. Abri o manto para ti e deixei-te entrar. Acreditava que o vento iria parar de soprar,que as nuvens se dissipariam mágicamente…sim porque existia magia na tua voz!E nem toda essa magia se perdeu no ar, muita penetrou-me e aqueceu-me em noites frias…a chuva cessaria….as brumas certamente mudariam de cor e tornar-se-iam areia fina…e assim foi! Não poderia pensar, sequer ousar imaginar que enquanto me lavavas o sangue do corpo e me purificavas a alma com o teu toque, escondias de mim algo…e só percebi quando desembainhas-te o teu punhal de prata e o ergueste acima da minha cabeça…. mas já era tarde! Senti o punhal descer, senti medo, repulsa, desilusão e fui cobarde! Não ousei desarmar-te! Afinal eras tão fragil… Acertaste em cheio no coração que perfuraste sem dó nem piedade e eu não gritei.
Agora que a magia voltou sentei-me e admirei-te…sorri, errei! Não acreditei e tentei mover-me apenas para me encontrar preso à mesma posição de pânico. O meu ser desabou quando te viraste e olhas-te para trás, não para mim! Desgraçado, olhei para baixo e pensei desistir! Mas voltaste e ergueste-me, mostraste-me os raios de sol que romperam as nuvens negras, sentimos os dois o calor; preparei-me para falar e voltei as costas, não vi o teu punhal que habilmente escondeste!